Pular para o conteúdo principal

Capitulo Seis

Eram pouco mais das 6:30 da manhã, Bia fora a primeira a acordar e enquanto descia para tomar café, Carol lutava contra o despertador, na cozinha, Moira O’Hara terminava de fazer suas maravilhosas panquecas.
“Bom dia senhorita Beatriz” A senhora ruiva diz colocando um prato para ela em cima da ilha. “Panquecas?”
“Ah, por favor” Moira coloca uma panqueca para ela. “Está melhor?Ontem você parecia um tanto estressada.”
“Não gosto quando sou ignorada, quem gosta não é?”
“Ninguém eu acho”
Batidas são ouvidas na porta da cozinha, atraindo olhares de Bia e Moira, Constance Langdon se encontrava de pé segurando um cupcake e aguardando ansiosamente para que Moira abrisse, a empregada revirou os olhos e abriu a porta.
“É um pouco cedo não acha Constance?”
“É a única forma que encontrei de ver a escolhida” Cochichou para Moira, Bia estava tão atenta a sua panqueca que nem escutou. “Ade fez este cupcake para ela, posso entrar?”
“Adiantaria eu dizer que não?”
“Mas é logico que não, você é apenas a empregada.” Disse a mulher adentrando e esbarrando  em Moira. “Olá, querida!” Bia olhou surpresa para a mulher a sua frente.
“Olá...Você é amiga de Moira?”
“Ah meu bem não sabe o quanto me ofende ao pensar que eu faria amizade com gente como Moira, eu sou Constance Langdon, sua vizinha, minha filha Adelaide ela fez este cupcake para você, sabe como sao as crianças, elas adoram dar as boas vindas a vizinhança e quando soube que Maude e Gus tinham intercambistas ficou animada com a ideia de fazer amizade, porém infelizmente ela não pode estar presente no momento” Constance coloca o pequeno cupcake a frente de Bia.
“Ah é muito gentil de sua parte por trazer e de sua filha por fazer.”
“Então coma!”
“Eu só preciso finalizar minha panqueca antes”
“Eu no seu lugar jogaria no lixo, as comidas feitas na casa de Constance não são confiaveis” Disse Moira olhando feio para a mulher.
“Entendeu agora porque me ofendi ao você pensar que sou amiga de Moira?Ela é uma cobra extremamente venenosa”
“Pelo menos sou uma cobra decente que não mata, meu veneno é apenas para os piores seres humanos e você é um deles Constance”
“Pelo menos sou uma cobra decente que não mata, meu veneno é apenas para os piores seres humanos e você é um deles Constance”
“Ignore-a, enfim, você e sua amiga moram há alguns dias aqui não é?”
“Dois dias”
“E está gostando?”
“Ah, sim é um bom lugar e Gustaf e Maude são ótimos anfitriões”
“De fato são”Bia não deixa de perceber a ironia em seu tom de voz, Constance estava sendo falsa.
“Você tem quantos filhos Constance?”
“Quatro, ou pelo menos costumava a ter, atualmente possuo apenas três”A mulher está séria e sua voz soa como um vento perdido em um vale.
“Desculpe eu não queria...”
“Queria sim, mas não importa mais, quando eu quiser eu mesma te contarei essa história ou outra pessoa o fara por mim” Constance diz se afastando. “Talvez seja melhor eu ir, Até logo”Ela se vira e caminha em direção a porta, olha de relance para Moira “Fique esperta e cuidado com suas palavras”Diz se retirando, Bia fica absolutamente confusa naquela cozinha, a menina não conseguia entender o que se passara ali naquele instante.
“Não deve dar confianças à Constance” Moira diz pegando o cupcake “E precisa saber que Adelaide não cozinha” Ela joga o cupcake fora.
“Você a conhece faz muito tempo?” Moira ri de forma nasalada
“Mais do que gostaria de fato, trabalhei para ela antes do marido dela falir e ter de se mudar para a casa do lado, tivemos desavenças muito graves no passado e as mantemos até hoje” Explicou a ruiva retirando o prato e o copo de Bia da ilha.
“E quanto ao...Tate ?” Moira liga a torneira e começa a ensaboar o prato.
“Um garoto confuso eu diria, um mundo pesado demais para se carregar nas costas”
“O conhece bem?”
“O conheço desde seus 10 anos, fui sua babá ao longo do tempo que trabalhei com os Langdon, fui babá de Tate, Adelaide e Beau”
“Nunca chegou a conhecer o outro filho de Constance?”
“Natimorto, dois anos antes de eu iniciar meus trabalhos com os Langdon”
“Da onde você é Moira?”
“De Nova York, vim para Los Angeles cursar direito, mas não consegui a bolsa e acabei me tornando o que sou hoje...Empregada doméstica, triste não?Acredito que já passei da idade de ser uma advogada”
“Nunca se é tarde para ter seus sonhos realizados”
“Se é nisso que acredita” Disse dando de ombros “Mas acredite menina, se você vivesse no mundo ao qual eu vivo concordaria comigo”
“Vivemos no mesmo mundo Moira.”
“Você não faz nem ideia”
“Bom dia” Carol diz entrando na cozinha, ela estava com uma feição sonolenta e um tanto preguiçosa, um moletom cinza e uma calça jeans preta skinny com um all star, pronto aquele era seu look do dia, seus cabelos morenos e curtos na altura do ombro se encontravam soltos e ondulados naquela manhã, sentou-se no banquinho ao lado de Bia e Moira apressou-se em servi-la. “Sobre o que estavam falando?”
“Que vivemos no mesmo mundo de Moira”
“Planeta Terra huh?”Moira ri assim como Bia, a ruiva depositou as panquecas em frente Carol e logo colocou o suco de laranja também. “Só isso?”
“Constance Langdon esteve aqui também, com cupcakes assassinos”
“Cupcakes assassinos?”
“Pois é, disse que sua filha Adelaide os havia feito, mas Moira me disse que Adelaide não sabe cozinhar”
“Você perguntou a ela sobre Tate?”
“Não tive coragem e ela também ficou super séria quando toquei no assunto de filhos, parece que ela teve um natimorto e enfim, não quis falar mais sobre o assunto apenas disse que iria embora e assim foi”
“Que familia mais sortuda”
“Moira trabalhou com eles” A empregada deixou a louça cair na pia atraindo a atenção das meninas.
"Moira?" Bia a chamou franzindo a testa, a mulher apenas virou o rosto na sua direçao.
"Desculpe se eu as assustei, nao fora a minha intençao" Diz voltando sua atençao a louça, as meninas se entreolham e optam por apenas ignorar.
Quando Bia e Carol partiram para a escola, Maude para a lanchonete e Gustaf se trancou na biblioteca/escritório a espera de seu proximo paciente, Moira aproveitou para tirar um tempo só seu, passeando proximo ao gazebo ela avistou Tate.
"Oi Moira" Murmurou o rapaz antes de dar uma profunda tragada em seu cigarro "Sabe qual é a vantagem de se estar morto?Nao ter cancer" Disse rindo a ruiva fez um gesto de reprovaçao ao ficar ao seu lado, Tate ignorou.
"Ela perguntou sobre você" Disse de repente, Tate olha para ela, mas Moira continua a observar o jardim. "Sua mae tambem esteve falando com ela esta manha"
"Eu sei, eu estava la, ela é bem ligeira e esperta, nao é?"
"Sim, você escolheu bem"
"Acredito que sim."
"Quando pretende avançar mais com ela?"
"Apariçoes no quarto é tao...Bill, acho que irei aparecer nos lugares que ela menos espera, vou ver se temos assuntos em comum e ai começaremos a trocar algumas ideias" Disse dando de ombros.
"Você e Bill tem certeza do que estao fazendo,Tate?" Ele a olha.
"Tenho, eu quero isso, eu quero sentir algo Moira, é triste sabe?Sombrio, um mundo sem luz e totalmente fedendo a merda, eu nao quero mais passar a eternidade deste jeito, nao mereço isso, mesmo eu tendo feito o que fiz" Ele voltou a tragar, ao soltar a fumaça ele parou por alguns instantes "Todo mundo precisa de alguem, ate mesmo um monstro como eu"
"E porque ela?"
"Você nao consegue enxergar?A luz que emaneia dela, a ingenuidade, a compaixao, inteligencia, é tudo aquilo que procuro em alguem, ela é perfeita, parece que foi feita sob medida para mim e eu nao vou deixae isso escapar, andei pesquisando sobre ela a alguns meses, desde que eu e Bill resolvemos fazer com que Gus e Maude aceitassem essa ideia de trazer essas meninas para cá, quando eu vi o perfil delas na internet, a procura de alojamentos ou pessoas para dividir casa ou ate mesmo um studio tudo pareceu se encaixar, como engrenagens em um relógio"
"Espero que alcance seus objetivos Tate, mas apenas se ela os quiser tambem, nao pode prende-la a você"
"Eu sei, pretendo vê-la hoje, logo após a consulta com Gustaf"
"Lhe desejo boa sorte entao" Sorriu gentil para o garoto, Tate assentiu e Moira ficou por mais alguns instantes ali, apenas observando a forma como a fumaça se esvaia pelo ar, por fim optou para ver o que os outros estavam fazendo, Nora estava ocupa demais organizando as pratas de sua mae, Charles abrindo algum bicho,Beau estava brincando sozinho no Sótao e Moira nem se atreveua interromper a briga feia que Bill e Heather se encontravam travando perto da caldeira, entrou nos tubos de ventilaçao indo na direçao sul da casa, precisava ver como um certo alguem estava.
Hugo Langdon se encontrava recostado no canto da parede sendo amedrontado por Thaddeus, um sorriso malicioso emergiu no rosto da mulher que agora tinha assumido sua feiçao jovial, uma linda garota de 20 e poucos anos, cabelos curtos,encaracolados e brilhosos, labios bem desenhados e olhos tentadores em uma imensidao verde, com trajes de empregada ousados ela se aproximou do homem horrorizado.
"Ja esta bom Thaddeus,pode ir caçar seus ratos" Disse para a criatura que um dia fora uma criança de 3 anos, o ser saiu correndo fazendo sons aterrorizantes com a boca, Hugo relaxou um pouco, mas ainda assim se matinha encolhido no canto. "Está com medo querido?"
"O que quer Moira?" Disse com a voz arrastada.
"Quer saber das novidades do mundo fora dos tubos de ventilação?Me pergunto com Tate ainda não encontrou você"
"Tate puxou a minha inteligência, mas não o suficiente, sempre que o sinto por perto eu dou um jeito de sumir"
"Tate está prestes a arrumar uma nora para você, está animado com a familia aumentando?"
"Já tinha mais do que passado do tempo"
"Constance está de olho nela, acho melhor você tomar cuidado"
"Você deveria tomar cuidado também, huh?Afinal nós estamos no mesmo barco"
"A diferença é que eu sou uma melhor atriz do que você, Constance provavelmente usará a menina para chegar até Tate, não estou a fim de viver um inferno massante nesta casa, Tate sabe ser o próprio diabo quando quer"
"E o que quer que eu faça?"
"Que apareça, ele precisa saber que o pai não o abandonou e sim que foi morto por sua mãe"
" E qual seria o motivo que eu daria para Constance me matar?O motivo real?A minha infedelidade?O fato de ela ter me pegado na cama junto com você?"
"Mas é claro que não, a mesma história que eu contei a ele depois de minha morte se manterá na sua versão, eu inocente e você também."
"Estou morto há 19 anos Moira, Tate está morto e não burro, não vai acreditar em mim se eu dizer que resolvi aparecer depois de tanto tempo afim de explicar que nao o abandonei e sim que morri."
"É simples Hugo, você dirá a Tate que sumiu durante todo esse tempo não querendo aceitar o seu fim, se isolando nesses tubos a espera de um final para esta casa e para que seu espirito seja libertado, passaram-se anos e nada aconteceu, você tinha medo de Constance e das mentiras venenosas que ela poderia contar a ele, jogar contra ele, mas agora você resolveu aparecer ao ver que o seu filho finalmente terá uma chance de ser feliz após tanto tempo e que você não deixará Constance destruir isso, você voltou para supostamente alertar Tate que Constance irá fazer a garota se afastar dele e ir embora, voltou para ajudá-lo a alcançar seus objetivos com a menina, e enquanto isso garante Tate ao nosso lado, que ele fique ao nosso favor não deixe estes mortos irritados por uma eternidade inteira conosco"
"Que diferença faz eles gostando ou não de você, Moira?Está morta!"
"A diferença é que eu preciso de Tate do meu lado, ele pode fazer a garota encontrar meus restos mortais no Gazebo, ele pode fazer Constance ser presa, estarei vingada!" Um sorriso enorme está no rosto da ruiva. "Tudo o que mais quero é ver Constance pagar pelo que fez comigo, Tate é a minha solução e essa menina também, você vai me ajudar com isso ou não?" Moira faz um biquinho meigo e Hugo suspira.
"O que eu não faço por você, hein?"

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Capitulo Quatro

“ Você tinha que ter visto a cara dela” Bill comenta animado com Nora, uma das moradoras da casa. Nora Montgomery era a esposa de Charles Montgomery um cirurgião plástico e obstetra famoso dos anos 20,  loira com cabelos ondulados, um rosto fino e graciosos, lábios pequenos e rosados e olhos verdes, era uma mulher extremamente linda, após a trágica morte de seu filho Thaddeus, Nora tinha praticamente adotado Bill como um filho e tudo o que acontecia com ele, ele contava a ela. “Não acredito que seu primeiro encontro com a sua escolhida foi com ela de toalha, você é louco” “Um louco sábio, ela ficou toda nervosinha” “Irritar mulheres não é sabedoria e sim tolice, vai acabar a afastando” Bill olhou para Nora com uma feição triste. “Para conquistá-la você precisa ser um cavalheiro e não um completo imbecil, provavelmente só conseguiu deixá-la com odio de você” “Nora você é de outra época” “Mas as mulheres não mudaram tanto assim, romantismo ainda as encanta, escute o que estou l...

Capitulo Sete

" Ele é um completo babaca" Exclama Carol enquanto caminha ao lado de Bia pelos corredores de Yorkshire School. "Mas um babaca erudito, não há como negar que ele sabe usar bem as palavras, é um cara de classe e tem seu charme também" "Isso é verdade, mas mesmo assim, arg!Só de eu lembrar dele me olhando como se eu fosse um filé de frango no quarto já fico irritada de novo" "Não podia ser bacon não?" Carol a encara séria "Brincadeira, olha ele assumiu que foi errado e pediu desculpas, tente relevar isso, pois caso você não se lembre o cara é irmão de Gustaf, vai ser meio dificil não vê-lo com frequencia, ainda mais agora que ele faz terapia em casa também" "Eu só quero que esse ano termine logo" "Carol?" "Hum?" "Estamos em julho" "Faltam só mais cinco meses" "Enfim ainda tem muita coisa para rolar" "Não me lembre disso" "Sinceramente?Acho que você dever...

Capitulo Cinco

“Eu esqueci a planilha da lanchonete na biblioteca, eu não posso sair, você se incomodaria de ir buscá-la para mim, Bia?” Maude disse saindo da cozinha, Bia estava no caixa enquanto Carol servia a mesa 6, a jovem olhou para trás encarando a linda loira dos olhos castanhos. “Eu posso, vou pedir para Carol ficar no meu lugar aqui no caixa” Disse ela de simpática, Maude assentiu e voltou para a cozinha. Assim que saiu da lanchonete, a primeira coisa a se fazer foi ir para o ponto de ônibus mais perto, precisava chegar na Berro Drive o mais rápido possível. Abriu os enormes portões da casa e caminhou pelo jardim de entrada, quando se aproximou da enorme porta de cochere uma fumaça lhe chamou a atenção, engoliu em seco e com receio deu a volta, tanto Gustaf, quanto Maude e Moira não fumavam, não gostavam de tal hábito então claramente alguém tinha invadido a propriedade...Ou não. “O ministério da saude adverte, fumar não faz bem para seus pulmões” Ela diz assim que reconhece o garoto lo...