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Capitulo Quatro

“ Você tinha que ter visto a cara dela” Bill comenta animado com Nora, uma das moradoras da casa.
Nora Montgomery era a esposa de Charles Montgomery um cirurgião plástico e obstetra famoso dos anos 20,  loira com cabelos ondulados, um rosto fino e graciosos, lábios pequenos e rosados e olhos verdes, era uma mulher extremamente linda, após a trágica morte de seu filho Thaddeus, Nora tinha praticamente adotado Bill como um filho e tudo o que acontecia com ele, ele contava a ela.
“Não acredito que seu primeiro encontro com a sua escolhida foi com ela de toalha, você é louco”
“Um louco sábio, ela ficou toda nervosinha”
“Irritar mulheres não é sabedoria e sim tolice, vai acabar a afastando” Bill olhou para Nora com uma feição triste. “Para conquistá-la você precisa ser um cavalheiro e não um completo imbecil, provavelmente só conseguiu deixá-la com odio de você”
“Nora você é de outra época”
“Mas as mulheres não mudaram tanto assim, romantismo ainda as encanta, escute o que estou lhe dizendo Bill, conquiste-a com flores e não com safadezas, mulheres são safadas, mas não como os homens e sim quando estão entre quatro paredes”
“Nós estavamos entre quatro paredes”
“Bill!”Ele ergueu as mãos em forma de rendição
“Está bem, me desculpe, talvez eu venha a mudar de tática em algum momento, de qualquer forma ela será minha”
“Você está sendo um pouco possessivo não acha?”
“O que me importa?Estou morto” Nora ri e ele a acompanha de fato soava como algo engraçado.
Caminhando pelo porão da casa Nora agora se encontrava sozinha e um tanto distante, seu pensamento vagava para Thaddeus, seu bebê que agora se encontrava morto e um verdadeiro monstro que vagava pelos tubos de ventilação da casa, ela nunca conseguia pegá-lo de surpresa e nem mesmo abraçá-lo, Thaddeus tinha se tornado uma criatura completamente desconhecida para ela, escutou barulho de objetos batendo em bandejas, soltou um longo suspiro já imaginando que seu marido Charles estaria fazendo, chegou em uma sala que tinha os experimentos doidos dele, como orgãos guardados em potes de vidros e utensilios que normalmente não são mais utilizados em ambientes cirurgicos.
Charles Montgomery era um homem velho e calvo apenas em cima da cabeça, seus poucos cabelos castanhos na laterais possuiam algumas “entradas de ar” e o furo enorme no centro de sua testa se destacava em seu rosto enrugado, não possuia barba, e se encontrava com seu avental todo ensaguentado enquanto mexia em algum animal morto que Gustaf tinha levado para ele se divertir naquele dia, Maria e Gladys suas enfermeiras, eram as que mexiam nas bandejas, ou entregavam algum instrumento cirurgico para ele ou simplesmente os lavava e os jogava de qualquer jeito na bandeja fazendo o barulho que Nora escutara.
“O que é desta vez?Outro Frankstein só que cervo?” Disse enjoada, Charles se virou para encará-la.
“Apenas mais alguns testes cirurgicos, Gus trouxe para mim esta manhã,  estou vendo se o coração dele bate em um corpo de mesmo porte, como um veado por exemplo.”
“Você é ridiculo Charles, um cirurgião completamente fracassado!” Disse com desgosto, o marido tudo o que fez foi dar de ombros.
“Já cansou de brincar de mamãe e filhinho com Bill?Onde está Thaddeus?” Disse provocativo, Nora o encara mortalmente.
“Não venha falar de Thaddeus, para começo de conversa nem estariamos presos nesta casa se você não o tivesse transformado em uma espécie de Frankstein ou qualquer que seja a aberração que ele é atualmente.”
“Transformá-lo?Eu lhe trouxe de volta a vida!Nosso filho estava morto e eu o ressucitei como Jesus Cristo!Nós só nos encontramos presos nessa droga de casa porque você decidiu meter uma bala no meio da minha testa, só por isso”
“Patético, eu me recuso a falar com você sobre esse assunto com você’’
“Ah!Que ótimo agora eu sou o patético”
“Quer saber?Eu desisto de você Charles, aliás desisti de você no dia que você resolveu transformar nosso filho no monstro que é hoje” Ela se vira saindo da “especie de consultório” que ele tinha, estava aborrecida e furiosa, não sabia porque ainda assim tentava conversar com Charles sendo que toda a culpa de ela estar presa naquela casa, sem o seu filho (pelo menos normal), e tendo um casamento infeliz era totalmente dele. Nora Montgomery era apenas uma das almas mais infelizes daquele lugar. Passeando pela parte de cima da casa, sala de estar, agora ela começara a observar as lâmpadas Tiffany´s, eram tão lindas.
“Onde forma parar as pratas de minha mãe?” Ela perguntou a Moira que limpava a estante.
“Estão no sótão, Beau brinca com elas de vez enquando” Respondeu a ruiva passando o espanador nos livros.
“Você me ajudaria a poli-lás?”Perguntou de forma gentil, Moira parou de limpar e a fitou.
“Assim que terminar meu expediente, será a primeira coisa que irei fazer.” A loira sorriu feliz e voltou a caminhar pela casa, sua única forma de divertemento era polir com Moira, conversar com seu filho de consideração,Bill, e brigar com Charles, triste morte.

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