Pular para o conteúdo principal

Capitulo Sete

" Ele é um completo babaca" Exclama Carol enquanto caminha ao lado de Bia pelos corredores de Yorkshire School.
"Mas um babaca erudito, não há como negar que ele sabe usar bem as palavras, é um cara de classe e tem seu charme também"
"Isso é verdade, mas mesmo assim, arg!Só de eu lembrar dele me olhando como se eu fosse um filé de frango no quarto já fico irritada de novo"
"Não podia ser bacon não?" Carol a encara séria "Brincadeira, olha ele assumiu que foi errado e pediu desculpas, tente relevar isso, pois caso você não se lembre o cara é irmão de Gustaf, vai ser meio dificil não vê-lo com frequencia, ainda mais agora que ele faz terapia em casa também"
"Eu só quero que esse ano termine logo"
"Carol?"
"Hum?"
"Estamos em julho"
"Faltam só mais cinco meses"
"Enfim ainda tem muita coisa para rolar"
"Não me lembre disso"
"Sinceramente?Acho que você deveria deixar essa situação constrangedora de lado" Carol para de caminhar e encara amiga " Ele pediu desculpas de qualquer forma, tente recomeçar e ter uma relação amigável, afinal, o cara é irmão do Gustaf que por acaso é o nosso anfitrião, não custa fazer esse esforcinho é só até conseguirmos nossa residencia permanente e mudarmos para um studio" Carol suspira.
"Talvez eu possa tentar"
"Isso não vai te matar" Diz Bia rindo, Carol ri junto
"Definitivamente não"
A lanchonete tinha sido fechada mais cedo hoje, teria detetização por lá no dia seguinte e Maude queria ter certeza que tudo estaria certo, por terem sido liberadas mais cedo, Bia aproveitou seu tempo livre para voltar para Yorkshire School enquanto Carol optou por descansar em casa, assim que fechou a porta atrás de si ela relaxou e segui na direção das escadas, mas algo a fez parar antes mesmo de subir no primeiro degrau.
"Carolina, olá" Bill Skarsgard está parado no batente da  enorme porta da sala de estar que liga ao hall de entrada da casa, ele estava um tanto formal, seu topete castanho estava bem jogado para trás e sem nenhum fio fora do lugar, estava com um blazer marrom com uma blusa branca por baixo, calça jeans folgada e tenis all star preto, um detalhe em especial chamou a atenção dela para ele, um cigarro pendia no lábios do rapaz.
"Não sabia que fumava, Gustaf não gosta que fumem aqui dentro" Bill ri abaixando a cabeça ao fitar o chão, rapidamente seu olhar volta para ela e então diz:
"Gustaf no fundo não se importa, quem implica mesmo é Maude, ela é a senhora organica, e a favor da droga deste planeta" Diz ele dando de ombros em seguida. "De qualquer forma Maude não está em casa e Gustaf está em sua sessão com Tate, estou o esperando"
"Hum...Tudo bem então"Ela diz pronta para subir, mas Bill a impede novamente dizendo:
"Antes de subir, eu gostaria de saber se você aceitaria um?" Do bolso de dentro do blazer ele retira seu maço redwood e o estica para ela, franzindo o cenho ela responde
"Apenas um?"
"Apenas um"
Ela fitou o maço por alguns instantes e então se lembrou da conversa que teve com Bia hoje mais cedo, "Só até nossa cidadania" pensou ela, deu de ombros e aceitou. Bill e Carol se encontravam sentados em um banco que ficava na varanda da casa em frente ao Gazebo, ali sentados e em completo silêncio o casal contemplava a estrutura de madeira a sua frente.
"Gustaf a construi para Maude quando fizeram dez anos de casados" Comenta ele de repente, Carol para de fitar o gazebo e o encara.
"É muito bonito" Ele assentiu, ela voltou seu olhar para o gazebo, Bill ri.
"Eu costumo jogar minhas bitucas nos vasos que enfeitam ali"
"Que maldade"
"Maude nunca reclamou, na verdade acho que ela nunca se quer viu ou reparou de fato, as escondo muito bem, sou ótimo em esconder coisas"
"Isso não é uma caracteristica boa"
"Acha que é um defeito?"
"Depende do que você esconde"
"Nunca escondi muitas coisas, bom não coisas realmente graves, o expert em fazer isso é Tate e não eu" Ele solta a fumaça no ar e ela vai se dissolvendo.
"Tate é um bom mentiroso?"
"É bom em omitir verdades"
"Mentiroso"
"Não, existe uma diferença entre metir e omitir, mentiroso é aquele que além de esconder a verdade conta algo que não é a verdade por cima para tentar esconder, quem omite apenas não conta a verdade, ele não inventa as coisas, apenas as esconde, guarda para si e eu particularmente admiro essa caracteristica nele"
"Gostaria de ser como ele?"
"Ninguém gostaria de ser como Tate, nem mesmo ele próprio" Carol engoliu em seco, não sabia como responder aquilo, Tate seria tão ruim assim?
"Ele é um badboy então?"
"Um cara esperto eu diria, mas chega de falar do Tate, vamos falar sobre você"
"Não quero falar sobre mim"
"Tudo bem então vamos falar sobre mim" Ela dá uma tragada no cigarro e o encara.
"Você é inacreditavel"
"Espero que mantenha esse mesmo pensamento até o final de sua estadia aqui, gosto de ser inacreditavel, me faz me sentir como algo misterioso, gosto de mistérios"
"Pronto já falamos sobre você"
"O que?De forma alguma, antes você precisa me conhecer melhor,aposto que meus pais você já sabe quem são, então vamos para a minha infancia"
"Na verdade não sei nada demais sobre os Skarsgard, Gustaf não fala muito sobre familia comigo ou com a Bia"
"Então comecemos do começo, minha familia veio da Suécia logo após o meu nascimento, meus pais Mikael e Esther eram professor e violinista, nos mudamos para Los Angeles assim que completei três anos e cresci nesta vizinhança pacata e chata aqui junto com Tate e Leticia, minha cor favorita é verde, não gosto de nenhuma marca de cigarro a não ser Redwood, meu sonho é ter um pug e um porshe, sou enigmático, um tanto safado, mas quem não é, não é mesmo?" Carol ri com a cara que ele faz ao terminar de falar.
"Um pug?" Ela diz rindo
"O que você tem contra pugs?São cachorros adoraveis"
"Eu amo pugs, mas acontece que se passou uma cena muito engraçada em minha mente agora"
"O que?"
"Você dirigindo um porshe com um pug lambendo o seu rosto" Os dois riem "Não faz o seu perfil, se torna um pensamento bizarro e divertido."
"Se não faz o meu perfil, então como você me imaginaria?"Ela franze a testa e faz um bico com os lábios, sua expressão se suaviza e então ela diz:
"Consigo te imaginar trabalhando para a CIA, oculos escuro, cigarro pendendo entre os lábios, e um uma pinta de durão estampada no seu rosto, isso sim faz seu estilo"
"Gostei, parece realmente com algo que eu faria se fosse outra época"
"Outra época?O que pretende fazer então?"
"Bem, analise forense era uma obsessão que eu tive...Tenho há muito tempo, mas nãi creio que algum dia irei conseguir me formar nisso"
"E por que não?Quero dizer você é novo ainda"Ele ri nasalado.
"Ainda" Murmurou sentindo o gosto da palavra em sua boca, "ainda" tinha um significado diferente para Bill agora, ainda significava "Sempre" e isso de certa forma o enchia de raiva.
"Tenho cinco irmãos" Ela disse de repente "Sou a caçula, tenho quatro sobrinhos, e tenho um apego muito forte com toda minha familia, vim para cá junto com a Bia porque garanti a eles que lhe daria uma vida melhor, melhores condições, mando metade do meu salário todo mês para ele, isso os ajuda de uma forma que você não faz nem ideia" Bill apaga o cigarro e assim que solta a fumaça pela boca a encara.
"Eu consigo imaginar, também costumava ajudar Gustaf"
"Não ajuda mais?" Ela ergue uma das sobrancelhas.
"Não" frio e sem expressão, Bill Skarsgard parecia outra pessoa.
"E por que?"
"Não quero falar sobre isso, estavamos falando de você e não de mim"
"Pensei que estivéssemos falando sobre os dois" Ele a fita, mas não com raiva, mas sim como algo curioso.
"Tem uma boa relação com seus pais?Cresceu com eles?"
"Sim"
"Eu não, meus pais morreram quando eu tinha apenas 6 anos, Gustaf cuidou de mim desde então, eu ajudei muito assim como ele também me ajudou, e isso é tudo o que você precisa saber"
"Está sendo grosso"
"Estou sendo sincero, não quero falar o que me fez parar de ajudar o meu irmão, o cara que cuidou de mim a vida inteira"
"Está agindo como Tate" Bill fecha os olhos e quando os abre Carol vê sua ira.
"Nunca mais na sua vida me compare a Tate Langdon, eu posso ser qualquer coisa menos um novo Tate, não estou omitindo nada, da mesma forma que eu não te forcei a falar sobre si mesma eu peço que não me force a falar sobre este assunto"
"Bill" Exclamou Tate de dentro da casa "Gustaf disse que é a sua vez"
"Por que estão fazendo terapia separados?"
"Meu irmão acredita que eu e Tate já chegamos a raiz de nosso problema e só cabe a mim e a ele decidir se iremos querer cortá-la ou não"
"E o que vocês decidiram?"
"Nada é por isso que estamos fazendo terapia separados, para que um não interfira na escolha do outro, até logo Carolina" Ele saiu de perto caminhando firme para dentro da casa, Carol ainda ficou alguns instantes ali parada pensando, de fato ela tinha sido uma tola, talvez na proxima vez que o visse pediria desculpas, ele não tinha a forçado era injusto ela forçá-lo também.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Capitulo Quatro

“ Você tinha que ter visto a cara dela” Bill comenta animado com Nora, uma das moradoras da casa. Nora Montgomery era a esposa de Charles Montgomery um cirurgião plástico e obstetra famoso dos anos 20,  loira com cabelos ondulados, um rosto fino e graciosos, lábios pequenos e rosados e olhos verdes, era uma mulher extremamente linda, após a trágica morte de seu filho Thaddeus, Nora tinha praticamente adotado Bill como um filho e tudo o que acontecia com ele, ele contava a ela. “Não acredito que seu primeiro encontro com a sua escolhida foi com ela de toalha, você é louco” “Um louco sábio, ela ficou toda nervosinha” “Irritar mulheres não é sabedoria e sim tolice, vai acabar a afastando” Bill olhou para Nora com uma feição triste. “Para conquistá-la você precisa ser um cavalheiro e não um completo imbecil, provavelmente só conseguiu deixá-la com odio de você” “Nora você é de outra época” “Mas as mulheres não mudaram tanto assim, romantismo ainda as encanta, escute o que estou l...

Capitulo Cinco

“Eu esqueci a planilha da lanchonete na biblioteca, eu não posso sair, você se incomodaria de ir buscá-la para mim, Bia?” Maude disse saindo da cozinha, Bia estava no caixa enquanto Carol servia a mesa 6, a jovem olhou para trás encarando a linda loira dos olhos castanhos. “Eu posso, vou pedir para Carol ficar no meu lugar aqui no caixa” Disse ela de simpática, Maude assentiu e voltou para a cozinha. Assim que saiu da lanchonete, a primeira coisa a se fazer foi ir para o ponto de ônibus mais perto, precisava chegar na Berro Drive o mais rápido possível. Abriu os enormes portões da casa e caminhou pelo jardim de entrada, quando se aproximou da enorme porta de cochere uma fumaça lhe chamou a atenção, engoliu em seco e com receio deu a volta, tanto Gustaf, quanto Maude e Moira não fumavam, não gostavam de tal hábito então claramente alguém tinha invadido a propriedade...Ou não. “O ministério da saude adverte, fumar não faz bem para seus pulmões” Ela diz assim que reconhece o garoto lo...